A tão esperada requalificação do Barreiro Velho parece estar, finalmente, prestes a sair do papel. Foi recentemente lançado o concurso público com um valor base de 23,6 milhões de euros, contando com o apoio crucial de fundos da União Europeia.
Este investimento ambicioso prevê uma intervenção profunda que abrange:
- Infraestruturas essenciais: Redes de abastecimento de água, saneamento (doméstico e pluvial), gás natural e telecomunicações.
- Espaço Público: Renovação de infraestruturas viárias, nova iluminação pública e arranjos exteriores.
- Qualidade de Vida: Criação de zonas verdes, instalação de mobiliário urbano e novos equipamentos.
Oportunidade e Urgência
Embora se possa dizer que esta intervenção peca por tardia, é inegável que a sua chegada é uma vitória para a cidade. Contudo, a modernização das infraestruturas levanta uma questão fundamental: que Barreiro Velho teremos quando as obras terminarem?
O Património Além dos Monumentos Classificados
A requalificação não pode focar-se apenas no que é novo; deve, obrigatoriamente, olhar para o que já lá está. Existe um vasto património secular que, apesar de não gozar de classificação ou proteção oficial (local ou nacional), define a alma do nosso centro histórico. Muitos destes edifícios constam, inclusive, do inventário do Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA).
Podemos destacar exemplos que merecem um olhar atento e um esforço de preservação:
- Edifício da Rua Conselheiro Joaquim António de Aguiar (n.º 210 a 212): Um exemplar notável da arquitetura civil residencial da transição do século XIX para o XX. A sua fachada, integralmente revestida a azulejos industriais policromados, é uma marca estética da nossa história urbana que não pode ser ignorada.
- Escola Conde de Ferreira (Escola Masculina n.º 1): Um símbolo da evolução do ensino na cidade.
- Casa do Fumeiro: Outro marco da nossa identidade que corre o risco de se perder na sombra da modernização.
Conclusão: Identidade não se reconstrói
A memória e a identidade do Barreiro não podem ser apagadas com um “estalar de dedos” ou soterradas por betão novo. Somos uma terra com uma história riquíssima que exige proteção e valorização.
O progresso é vital, mas o “moderno” e o “futurista” não devem existir em regime de exclusividade. É imperativo que este projeto de 23,6 milhões de euros saiba integrar o passado no futuro, garantindo que a requalificação do Barreiro Velho não signifique o desaparecimento da sua essência.
Texto e Imagens: Jose Encarnação





















