José Augusto Pimenta não era apenas um escritor casual; ele era uma figura integrada na administração e na vida social da época.
Perfil Profissional: Pimenta serviu como Secretário da Câmara Municipal do Barreiro. Esta posição privilegiada permitiu-lhe ter acesso direto a arquivos, registos paroquiais e dados estatísticos que outros cidadãos não possuíam.
Motivação: O seu trabalho foi movido por um espírito de “amor à terra”. Numa altura em que o Barreiro começava a crescer exponencialmente, ele sentiu a necessidade de fixar a memória do que a vila era antes de se perder na bruma do progresso industrial.
A Obra: “Memória Histórica e Descritiva Vila do Barreiro” (1886)
Publicada originalmente em novembro de 1886, esta obra é considerada a primeira monografia histórica dedicada exclusivamente ao concelho.
O que o livro contém:
Geografia e Demografia: Descrições detalhadas da localização, dos limites do concelho e da população da época.
Património: Notas sobre igrejas (como a de Santa Cruz), ermidas e edifícios públicos que, em muitos casos, já desapareceram ou foram profundamente alterados.
Economia Pré-Industrial: Pimenta descreve as atividades tradicionais, como a pesca, a extração de sal e a agricultura, que ainda coexistiam com as oficinas dos Caminhos de Ferro do Estado.
Tradições: O livro funciona como uma “cápsula do tempo” para os costumes e festividades do século XIX.
Importância Histórica: Sem este registo, muitos detalhes sobre a transição do Barreiro de “vila piscatória e rural” para “polo ferroviário” ter-se-iam perdido. É a base de quase todos os estudos históricos posteriores sobre a cidade.
O nome do autor está, aliás, perpetuado na toponímia do Barreiro, existindo uma rua com o seu nome na zona central (freguesia do Barreiro), reconhecendo o seu contributo para a preservação da identidade barreirense.
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