– Quando vemos os estudantes franceses a protestarem na rua contra as más condições do Ensino e das Escolas em França (resultado da política de gastar vastos recursos com o armamento e a guerra e de enriquecer mais e mais o capital financeiro monopolista) não podemos deixar de lembrar a luta que os estudantes portugueses travaram contra a ditadura, enfrentando nos “campus” e nas ruas, as investidas repressivas da polícia de choque e da PIDE, a mando de Oliveira Salazar e de Marcelo Caetano.

   – Os livros “Buenos Aires Tempos de Paixão” e “Cabo Ruivo Amor e em Tempos de Revolução”, contam muitos episódios da luta estudantil vividos nos finais de 1960, nos inícios dos anos 70 e no período revolucionário distinto de 1974/75, e é por isso uma fonte de reflexão e de inspiração em relação ao que se passa nos dias de hoje.

   – Embora a história não se repita é bom trazer as memórias de uma luta tenaz e prolongada contra o Ensino e a Escola classista e elitista, discriminatória e retrógrada, contra a mobilização forçada para a guerra colonial, pela liberdade de expressão e de associação, pela construção de um futuro de paz e de política, social e económica em Portugal.

    – Compreender como essa saga estudantil durante os 48 anos de regime fascista ajudou a caminhar para Abril, permite perceber que as tremendas e dolorosas contradições do tecno-liberalismo dos tempos que correm, não serão resolvidos pelo poder político vigente (de diversa natureza convergente) e que a exploração, a opressão, a desigualdade, a repressão e a guerra só serão superadas com a luta dos povos. Hoje como ontem e sempre! 

Armando Teixeira