É frequente ouvir certos políticos afirmarem que a gestão privada nas empresas é mais eficiente e rentavel que a gestão pública (do Estado). Quando fazem esta afirmação a que empresas pretendem referir-se? Às PMEs para ganhar a opinião pùblica ou às grandes empresas estratégicas e sociais do País que pretendem privatizar? Então pergunta-se:
Será porque os acionistas, (porque não se trata de sócios de PMEs) estão á frente das empresas a geri-las e a trabalhar? Como? se os grandes acionistas não gostam de trabalhar, só investem para obter dividendos, (lucros).
Será porque os gestores contratados pelas direções executivas de acionistas têm cursos económicos superiores aos das públicas? Mas as Universidades são as mesmas!
Será que é exigido pelas direções executivas dos acionistas aos gestores das privadas um plafon de rentabilidade superior e de lucros (dividendos), sacrificando direitos sociais, salários e postos de trabalho, não olhando a meios para a sua obtenção? Com a promessa de prémios extra ou a ameaça da sua substituição por outro gestor em caso de fracasso? Parece que sim.
A Caixa Geral de Depósitos é uma empresa pública e tem tido uma gestão que anualmente transfere para o seu acionista Estado dividendos muito avultados, que evitam mais impostos aos cidadãos, dividendos que iriam para os bolsos dos milionários se o Banco fosse privado. O seu gestor executivo tem uma remuneração alta, acima da média dos gestores, mas os resultados obtidos têm compensado. Portanto as afirmações dos politicos liberais que a querem privatizar, são difamatórias, não correspondendo á realidade. A TAP enquanto empresa pública tem tido resultados económicos, de tal modo positivos, que tem permitido ao Estado recuperar parte dos prejuizos causados pelas anteriores privatizações. Mas é pretensão do atual Governo voltar a privatizá-la para entregar às empresas estrangeiras os seus lucros.
Porque será que os Governos com políticas económicas neoliberais favorecem as empresas privadas e desfavorecem as empresas públicas? Como se vê no SNS, na TAP, nos Correios, nos transportes ferroviários e nas Auto-estradas? É de relembrar que esta análise não se refere a pequena e médias empresas, mas sim às empresas estratégicas e sociais do nosso País.
Talvez porque os governos são constituidos por gestores (políticos) que vêm das empresas privadas ou as suas famílias são originárias de grandes ou médios empresários. A sua formação política anterior já é neoliberal (favorável às privatisações e contra a existência de empresas públicas) e quando são convidados ou eleitos para formar ou fazer parte dos governos a sua mentalidade política não se altera, mesmo sabendo que são os cidadãos que lhes pagam as remunerações, com os seus impostos, para lhes gerir bem o seu País. (é como uma religião ou clubismo). Bem podem os opositores protestar, é como “malhar em ferro frio”, não alteram a sua politica.
Só há uma solução: substitui-los por políticos com outra diferente formação política.
Faustino Dionísio Reis – ex. preso político do fascismo em 1971/73
Agosto de 2026

