DEFESA NACIONAL – FORÇAS ARMADAS, FORÇAS POLICIAIS E DE BOMBEIROS

Tendo em linha de conta a atual conjuntura europeia e as relações política/económicas entre os países europeus e particularmente entre Portugal e Espanha, pode-se afirmar que hoje não faz sentido a existência de forças armadas com uma estrutura organizacional e bélica como a que existe atualmente em Portugal.

Hoje, sem colónias, as necessidades de defesa da soberania nacional fazem-se sentir mais a nível de defesa do nosso espaço aéreo, da nossa zona exclusiva marítima, no combate ao tráfico, na prevenção e combate dos fogos florestais, inundações e outro desastres atmosféricos e na defesa da segurança dos cidadãos.

É através de ações que respeitem aqueles princípios que se dignificará os três ramos das Forças Armadas e Forças Policiais, com uma presença útil ao País, na defesa dos seus bens, do seu território e do seu Povo. Essa deverá ser a sua missão.

Sabemos que todos os anos o flagelo dos fogos florestais, a insegurança dos cidadãos e o tráfico se repetem, com tendência para se agravar devido ao aumento do despovoamento e ao envelhecimento das pessoas no interior do País, aumentando as perdas de bens e de vidas de cidadãos e de bombeiros que se vêm impotentes para combater os numerosos e enormes fogos, apesar da sua dedicação e coragem. As vidas e os valores em perdas materiais e despesas no combate são cada vez mais elevados, criando problemas à economia do País. A coragem e a dedicação dos bombeiros de Portugal não tem conseguido vencer esta “guerra “ que todos os anos ataca o nosso País.

Se juntarmos a tudo isto, ainda, o desaproveitamento dos jovens na idade de trabalhar mas que se encontram no desemprego e alguns a receber subsidio de desemprego ou de inserção social, podemos concluir que seria mais útil e económico ao País mobilizar, como no passado para as guerras coloniais, mas por um período curto, esses mancebos para o serviço militar cívico obrigatório, (SMCO), aumentando o orçamento das Forças Armadas para suportar o acréscimo de despesa que uma renonovada estrutura criaria.

Se o Exército, principalmente os sapadores e a engenharia deveriam dedicar-se à prevenção dos fogos e inundações; já a Força Aérea deveria dedicar-se à vigilância aérea e ao combate dos incêndios, munindo-se das aeronaves e outros equipamentos necessários a um eficiente combate; e a Marinha ao combate dos tráficos na zona maritima em colaboração com com as polícias. Claro que o Governo e o ministério da defesa têm a derradeira responsabilidade no apoio nesta matéria. Mas se houve dinheiro para autoestradas, algumas desnecessárias, e para salvar bancos, e recentemente para apoiar guerras doutros países, também deveria haver para a defesa do País.

É opinião quase generalizada dos cidadãos, que faz falta e é útil aos jovens passarem todos por um treino disciplinador, igualizador e fraternal nas Forças Armadas, que aliás está previsto na Constituição da República Portuguêsa (CRP). Também é voz corrente ouvir dizer que o treino militar de combate, com armamento, desumaniza e os torna mais agressivos. Talvez por esse treino estar mais virado para matar do que para salvar vidas e haveres.

Se estes jovens fossem mobilizados, deveria ser estudado pelo Conselho Superior das Forças Armadas um novo programa de treino para eles, que incluísse a preparação física, a disciplina e obediência aos superiores hierárquicos, o respeito pelos semelhantes, ações de defesa do bem comum, ações de combate àqueles que por meios ilícitos e mobilizados por interesses privados e organizados destroem vidas, bens e haveres de terceiros e do País e até a própria juventude. A prática da limpeza das florestas, abertura e limpeza de caminhos, assim como a desmatação junto das povoações deveria ser uma das prioridades. Alguns poderiam participar também em cursos tecnológicos dos três ramos das Forças Armadas, que lhes daria mais possibilidade de encontrar emprego ou até continuar nas Forças Armadas ou concorrer às forças policiais e a corporações de bombeiros que deveriam ser todos profissionalizados.

Com este tipo de SMCO, devidamente estudado e programado, as FA estariam a contribuir para baixar o desemprego jovem, a melhorar a sua qualidade de trabalho e, como consequência, a contribuir para o aumento dos salários dos trabalhadores, já não falando dos benefícios económicos para o nosso País.

As Câmaras Municipais e as Juntas de Freguesia deveriam colaborar na deteção das zonas que necessitassem dessa intervenção e na requisição dos serviços. Deveria existir, nesses casos e na época de defeso, a colaboração dos bombeiros que deveriam passar a ser profissionais e deixar de ser constituídos por voluntários pagos. As equipas de sapadores civis, as equipas de guardas florestais e as equipas de cantoneiros deveriam ser em número suficiente para prevenir os fogos e outros desastres naturais, o que não acontece agora.

Com essa formação cívica, as Forças Armadas estariam a formar cidadãos com melhor e mais sã consciência cívica e patriótica, tornando-os mais úteis ao País.

 Se é verdade que o Estado teria de gastar mais com orçamento das Forças Armadas, também é verdade que se salvariam vidas e haveres e ficaria a ganhar com o que economizava nos subsídios, na diminuição do flagelo dos fogos e de outras chagas que proliferam pelo País.

Faustino Dionísio dos Reis – (um cidadão que deu obrigatóriamente três anos da sua vida jovem às Forças Armadas Portuguesas, dois deles na colónia de Goa e mais dois preso nas prisões políticas do fascismo)

2024/2025/2026