Sabendo-se que as novas tecnologias ou robotização, adotadas pelas empresas dos três setores da economia, têm como objetivo uma maior rentabilidade com menos trabalhadores e que por consequência, lançam no desemprego muitos trabalhadores qualificados, impõe-se criar um antidoto para compensar os postos de trabalho e as receitas de impostos perdidos, motivado pela aplicação dessa robotização e porque a tendência, também em Portugal, é de agravamento do desemprego qualificado por falta de alternativas.

Ao longo da história sempre se verificou a evolução das ferramentas e máquinas aplicadas no trabalho do ser humano, aliviando-o mais da dureza dos trabalhos e produzindo mais quantidade de produtos, o que se traduzia num beneficio para todos, em lucros para sócios ou acionistas, em horários de trabalho mais reduzidos, em menor esforço dos trabalhadores e melhores preços dos produtos devido a existir mais oferta. Mas tudo isso aconteceu até existir oferta de empregos qualificados. Mas agora que começa a surgir a ameaça desse desemprego elevado, não sendo maior porque os jovens casais decidem emigrar, procurando melhor futuro para a sua família. O benefício da aplicação de novas tecnologias e robots já não chega ao cidadão trabalhador. O que lhe advém dessa aplicação é ficar com salários baixos e sem trabalho, temporariamente com o subsídio de desemprego, que sobrecarrega a Segurança Social e depois na miséria sem qualquer subsídio ou apenas com o de inserção social.


Ao contrário de quando eram beneficiados com remunerações mais altas, por ocuparem postos de trabalho mais exigentes em qualificações, os filhos da classe média e média baixa (pequena burguesia) agora estão a ser transformados em assalariados mal pagos, porque a classe dominante ou financeira (grande burguesia) está a substituir a sua anterior necessidade de técnicos bem preparados e especializados, por todo o género de máquinas ou de robôs. Estes não adoecem, não metem baixas, não têm filhos, são todos solteiros, mas também não fazem descontos para a Segurança Social nem pagam impostos para o orçamento do Estado (O.E). Todos os dias há anúncios de grandes empresas a dizerem que vão despedir milhares de trabalhadores. Os trabalhadores desta classe têm de se precaver contra o futuro que a classe financeira lhes reserva. Está na altura de acordar, porque a ganância deles só vê os lucros e a multiplicação do capital.

Para se perceber melhor este grave problema coloca-se um exemplo extremo: suponhamos que todas as empresas adotavam os robôs e deixavam de ter trabalhadores assalariados, onde iriam os governos obter os impostos para manter os organismos do Estado, os Governos e o Estado Social? Será que só aos lucros das empresas? Ou às suas tecnologias que substituíram os seres humanos? Se não é possível fazer parar o rumo da evolução das tecnologias e o seu aproveitamento nas empresas, é já possível evitar que elas façam estragos no bem-estar dos cidadãos, diminuindo horários de trabalho e criando-se um imposto sobre o volume dos valores dessas tecnologias nas empresas, privadas, públicas e cooperativas, para manter a receita fiscal do Estado e para suportar um subsídio de desemprego de tempo indeterminado, concedido pela Segurança Social aos trabalhadores atingidos pela perda do seu posto de trabalho, enquanto não conseguir um outro. Só assim haverá justiça e benefícios para todos, sem entraves á aplicação das novas tecnologias.

A taxa de Segurança Social (TSU) já contém uma pequena percentagem destinada ao desemprego, mas muito insignificante, insuficiente para suportar um desemprego elevado e de tempo indeterminado. Assim é necessário criar um novo imposto só para aquele fim, com uma percentagem que permita ao Estado obter uma receita suficiente para o O.E. e para fazer face ao elevado valor da soma dos subsídios de desemprego por tempo indeterminado. O bem para os seres humanos deve estar sempre presente e não só o lucro para os empresários e acionistas donos do capital financeiro.


Faustino Reis
Barreiro 13 -7- 2026