Notícia da sessão de 18/5/26 no ISEL
Quando há 55 anos em Janeiro de 1971 fomos violentados pela polícia de choque naquele átrio lindíssimo, estávamos longe de pensar que num dia distante e festivo estaríamos no mesmo local a cantar com a “Estudantina” e a visitar uma Exposição meritória contando a história dos “anos de brasa” da luta no âmbito do MAE – Movimento Associativo Estudantil no IIL (1970/1974), e depois de 1975 no ISEL, assinalando a apresentação do livro “Cabo Ruivo Amor e Revolta em Tempos de Revolução”.
A sessão de lançamento decorreu no anfiteatro principal do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa – ISEL, onde em 29 de Abril de 1974 se realizou a primeira reunião geral de escola, em liberdade, sendo decidido reabrir a Associação de Estudantes (a ADAIIL), “enterrada viva” em Setembro de 1971 pelo “reformismo caceteiro” de Marcelo Caetano/Veiga Simão, conhecido pelos estudantes como, “A reforma e o bastão!”.
O discurso/saudação do presidente do ISEL, referindo “o período intenso da transição para a democracia”, as intervenções históricas sobre o MAE nos anos de luta estudantil e da sua contribuição para o derrube do regime fascista (do autor e do prefaciador), a intervenção assertiva do jovem presidente da AEISEL sobre os problemas agravados da Escola contemporânea, encheram a sala e os mais de 70 participantes de uma lufada de esperança. O regime democrático tem âncoras no passado e na generosidade da juventude do presente, com força bastante para fazer um Ensino melhor numa escola mais igualitária.
A dedicação de membros da Comissão de Antigos Alunos (CAA) e de colaboradores da direcção do Instituto, proporcionou uma tarde muito agradável pelo sentido comum, que começou com a música de Abril (e de sempre!) com Francisco Naia e Vítor Sarmento, continuou com o Protocolo de Doação do Espólio documental da ADAIIL ao arquivo histórico da escola, subscrito pelo autor, a companheira e o Presidente do Instituto.
Passou depois pela evocação do plenário em liberdade de 29/4/1974, e pela homenagem singela aos treze dirigentes e colaboradores da ADAIIL que em 1970/71, no calor da luta pela liberdade de associação, foram suspensos, castigados e alguns mais tarde presos pela polícia política.
A oferta simbólica de alguns exemplares do livro teve um duplo significado: honrou a memória de gerações de estudantes que no IIL/ISEL lutaram pela Reforma Democrática do Ensino, suprindo, graças ao esforço solidário da comissão organizadora, uma grave lacuna da editora consignada ausente na hora da verdade.
Na tarde de Sol espreitando risonho, este foi o único facto menos positivo, sendo entretanto reafirmado que o “Projecto Cabo Ruivo“ deve continuar a contar sobre a longa caminhada da escola de engenharia mais antiga em Portugal (desde 1852!), reconstruída a partir de 31/12/1974, em plena Revolução Democrática de Abril.
Um grande abraço de agradecimento a todos os que colaboraram e participaram neste evento condigno e luminoso numa perspectiva futura.
20/5/26
Armando Sousa Teixeira



